A história, lamentavelmente escrita na maioria das vezes por fanáticos esquerdistas, nunca fez e nem faz justiça a um dos maiores presidentes do Clube Atlético Mineiro em todos os tempos: Afonso de Araújo Paulino.
Sem ter intimidades com Afonso enquanto cidadão, dirigente esportivo, empresário, político ou até como dono de jornal, ouso afirmar que ele foi, seguramente, um cidadão diligente, inteligente, brilhante, generoso, solidário e muito à frente de seu tempo. Detalhe: ao que me consta e pelo que eu sei, graças a Deus, ele ainda está entre nós, nesta dimensão.
Ao Afonso tem-se de atribuir todos os méritos pelo fato de o Clube Atlético Mineiro não ter se apequenado de vez nos cenários esportivos mineiro e brasileiro. Pelo contrário, temos de agradecê-lo por ter mantido o alvinegro envolto em seu status de clube de primeira grandeza do futebol brasileiro.
A propósito quero relatar-lhes um fato que comprova de maneira radical e definitiva o excepcional caráter de Afonso e sua luta para dar ao galo o valor que o clube tem e merece.
Decorria o ano de 1989 quando Afonso Paulino assumiu o comando do Galo, com um olho voltado à solução dos problemas financeiros, contábeis e patrimoniais do clube, quase falido e o outro nos títulos, cada vez mais escassos dentro dos campos de futebol. Como homem inteligente, ele sabia que os títulos só viriam se o clube se ajustasse, se reorganizasse dentro e fora de campo e fosse, enfim, passado a limpo sob todos os aspectos.
Foi com esse espírito que ele, já presidente do Galo, partiu para o seu primeiro projeto administrativo visando à recuperação do Galo, nada mais nada menos do que a recuperação da propriedade do Velho Estádio da Colina, o Antonio Carlos, que, malgrado sua localização privilegiada, era minúsculo e superado, muito aquém das necessidades do CAM .
O fato é que o Atlético já havia perdido a propriedade do estádio para a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. Para alguns, àquela altura o estádio já teria sido vendido à Prefeitura para que ela construísse ali a sua sede, e, para outros, teria sido cedido à própria PMBH em troca dos débitos de impostos e de outras taxas que o clube não pagara e nem pagava, após larga inadimplência.
Em 1991, com Eduardo Azeredo comandando a prefeitura eis que, após "milhares de idas e vindas à PBH" e uma insistência teimosamente interminável, eis que Afonso Paulino, ele mesmo, após muita luta conseguiu reaver para o Clube Atlético Mineiro o velho Estádio da Colina.
Foi através da influência, prestígio e determinação de Afonso, à época um cidadão importante e influente na sociedade mineira, que o Atlético pôde trazer de volta o seu grande patrimônio, reoxigenando o clube e fazendo com que voltasse a ostentar a sua pompa e grandeza de maior clube de Minas e um dos mais importantes do Brasil.
Afonso Paulino portou-se magnificamente bem na presidência do clube até os últimos anos de seu mandato, colocando os salários de jogadores e funcionários em dia, reabilitando a contabilidade do clube, e encaminhando soluções para as dívidas
Dentro de campo, apesar da dura convivência com a crise, conquistou dois títulos estaduais e uma Recopa, competindo de igual para igual e muits vezes até superioridade, com o maior rival, o Cruzeiro EC.
Era uma época de ouro do Atlético mas a esquerdalha imunda da mídia sequer citava o nome do presidente e as realizações de Afonso, não apenas por ideologia barata e desigual mas, principalmente, por inveja.
Tudo entre Paulino e o Galo ia muito bem, como um casamento que dava certo, até que, inopinadamente, o destino resolveu pregar uma peça no treinador atleticano Jair Pereira que com o professor Cláudio Café, comandavam o elenco. O filho de Jair, jovem ainda, foi assassinado por bandidos numa rua perto de sua casa no Rio de Janeiro.
Num átimo, o Atlético se metamorfoseou assumindo a dor de seu treinador e Jair Pereira entrou em desespero, perdendo, completamente os rumos e as diretrizes de sua vida.
Sobrou, também, para o Atlético em função do poder absoluto e da liderança que a dupla Jair & Café exercia sobre o grupo.
Aquele deplorável episódio do Rio, como que por osmose passou para a comissão técnica atleticana, para os dirigentes, para os jogadores, para parte da torcida, em face dos maus resultados do time que sobrevieram, como decorrências de tudo isso.
Jair passava o tempo chorando, dia e noite, e de nada adiantavam os conselhos, o consolo e a palavra conselheira e amiga do presidente, pois o homem vertia lágrimas dia e noite, noite e dia não parava de chorar. Entrementes, o time só afundava, afundava, afundava...
Muitos, os insensíveis, procuravam Afonso, pedindo que ele dispensasse Jair e Café de imediato, contratando outro treinador;
Afonso, porém, não os atendia e apostava sempre, de forma categórica, em Jair mas ele voltava no jogo seguinte com os mesmos sintomas do dia anterior, sem resultados práticos.
A integridade de caráter de Afonso, aderida a sua imensa solidariedade humana, o impediam de colocar em prática aquela solução extrema proposta que poderia ter salvado a banda de todos os envolvidos e até a de Afonso: a dispensa imediata do técnico.
Isso, porém, não ocorreu, Afonso ainda segurou Jair naquele estado de alma por praticamente um ano, não obstante as saraivadas de crítica daqueles que o acusavam de ter feito parte da ditadura militar.
A única coisa que, entretanto, vi da parte dele foi atender o pedido de dezenas de mães que queriam a liberdade de seus filhos, e imploravam ajuda para retirá-los do cárcere.
Não, não vou dizer que Afonso Paulino foi ou que seja um santo, mas ele é (sempre foi) um Homem com H maiúsculo, um cidadão correto e reto, lúcido e de primeira qualidade que, mesmo estando do lado oposto ao meu naquela intentona militar, a "revolução" de 64, encontrou sempre condições de auxiliar o próximo e ajudar a construir um mundo melhor.
PAZ E ALEGRIA A VOCÊ E FAMÍLIA, MEU AMIGO AFONSO PAULINO.
HOJE QUE AQUELES HOMENS QUE A SUA REVOLUÇÃO DE 64 COMBATIA E EU REPROVAVA, DÃO MOSTRAS AO MUNDO SOBRE QUEM SÃO, EU CONCLUO HUMILDEMENTE QUE, ERA VOCÊ, AFONSO, E NÃO EU QUEM ESTAVA CERTO!